Presidenciáveis impulsionam venda de toalhas em São Paulo

Smirnova britovitzk
By Smirnova britovitzk 4 Min Read

Quem já passou pelo Jardins, na zona oeste paulista, provavelmente esbarrou com um varal de toalhas dos pré-candidatos à Presidência. O vendedor é o Osvaldo, um camelô profissional, que já vendeu de flores a balões nas ruas da cidade. Há dois meses ele começou a apostar nas toalhas estampadas com os rostos dos presidenciáveis.

A procura tem sido tanta, que o comerciante já se antecipou. Pensando na Copa do Mundo no Catar, marcada para novembro deste ano, Osvaldo já encomendou toalhas temáticas do Neymar, jogador de futebol pela Seleção Brasileira.

A princípio, o lote terá apenas 36 unidades para “apresentar o produto” para o consumidor, segundo o vendedor. Com a frase “o melhor jogador de futebol do mundo” e uma imagem do jogador vestindo a camisa da seleção, os primeiros exemplares estão previstos para chegarem na primeira semana de agosto.

“Imagina se ele vê e vem aqui comprar uma toalha comigo?”, idealiza o comerciante.

Com a proximidade do torneio, Oswaldo planeja investir nas toalhas temáticas para os jogadores. Além de Neymar, o “carro chefe”, outros três nomes devem ser escolhidos para estampar as toalhas.

“E aí a gente vai fazer o placar dos atletas! E ver qual o jogador que o pessoal gosta mais. Eu acho que o Neymar vai ganhar”, conta o camelô.

O tal ‘placar’ já tem sido usado nas vendas das toalhas para as eleições. Funciona da seguinte forma: cada toalha vendida do candidato é contabilizada no quadro que fica preso no varal. Até o momento, três presidenciáveis tem suas próprias toalhas na barraca do Osvaldo: Lula da Silva (PT), Jair Bolsonaro (PL) e Simone Tebet (MDB). Além deles, o candidato a governador de São Paulo Rodrigo Garcia (PSDB) também já tem seus próprios modelos expostos pelo vendedor.

As toalhas dos candidatos são a tendência para as eleições deste ano, deixando para trás os botons e os adesivos. Além de São Paulo, o pólo comercial do Saara, no Rio de Janeiro, e a Avenida Sete de Setembro, em Salvador, já são cidades onde é possível encontrar os exemplares dos presidenciáveis.

Os itens já tiveram pequenas aparições neste ano, como no festival Lollapalooza, em março deste ano. Durante apresentação musical no evento, a cantora Pablo Vittar ergueu uma toalha, dada por um fã, com a imagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fez falas a favor do petista.

Na ocasião, o caso foi parar no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por ter sido apontado como propaganda eleitoral. O Partido Liberal (PL) entrou com uma ação para impedir os artistas de se manifestarem seus posicionamentos políticos no evento. Posteriormente, o PL desistiu da representação.

No varal do seu Osvaldo ou nas mãos dos ambulantes pelo Brasil, as toalhas com rostos dos candidatos não infringem a lei eleitoral. Segundo o TSE, desde que não há pedido explícito de voto ou menção à candidatura para o cargo público, não se pode configurar propaganda eleitoral gratuita.

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