Elmar Juan Passos Varjão Bomfim esclarece que a energia solar deixou de ser promessa de catálogo e virou peça estrutural da economia brasileira. Com cerca de 68,8 GW de capacidade instalada, a fonte já responde por aproximadamente um quarto da matriz elétrica do país e ocupa o segundo lugar entre todas as formas de geração, atrás apenas das hidrelétricas. Mas o dado que mais interessa a quem projeta edifícios não está na potência total: está na forma como o painel saiu do campo aberto e entrou na prancheta.
O contexto ajuda a entender a urgência. Em 2025, o setor adicionou 10,6 GW e movimentou mais de R$ 32 bilhões, um ritmo mais contido do que o do ano anterior por conta de juros altos, da cobrança gradual do Fio B e de gargalos de conexão à rede. Continue a leitura e veja que, para a engenharia, essa desaceleração tem um efeito curioso e até saudável: o jogo deixou de ser sobre instalar o máximo de painéis e passou a ser sobre projetar melhor cada quilowatt gerado.
A geração que nasce dentro do projeto, não depois dele
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim elucida que, durante anos, instalar energia solar significou adaptar. Terminada a obra, alguém subia ao telhado e fixava os módulos onde coubessem, contornando dutos, caixas d’água e o que mais aparecesse pelo caminho. Esse modelo ainda domina boa parte do mercado, mas vem perdendo terreno para uma abordagem em que o sistema fotovoltaico é dimensionado junto com a planta elétrica, a estrutura de cobertura e a própria arquitetura do empreendimento.
A diferença é técnica e também financeira. Quando a geração entra no projeto desde a concepção, o engenheiro consegue calcular cargas, orientar coberturas para o melhor aproveitamento solar, reforçar estruturas no ponto certo e prever os pontos de conexão sem improviso. O resultado é uma obra que gera mais energia com menos retrabalho, evitando o custo silencioso de adaptar mais tarde aquilo que poderia ter sido planejado antes, quando a planta ainda estava no papel.
O que muda quando a fachada também produz energia?
Aqui aparece uma das fronteiras mais interessantes do setor: o BIPV, sigla em inglês para sistemas fotovoltaicos integrados à edificação. Em vez de painéis empilhados sobre o telhado, células solares passam a compor o próprio envelope do prédio, vidros, fachadas, brises, marquises e coberturas que geram eletricidade e, ao mesmo tempo, cumprem uma função construtiva. O painel deixa de ser um corpo estranho colado à obra e passa a ser parte dela.

O ganho vai muito além da eletricidade. Uma fachada fotovoltaica reduz a radiação direta que atinge o edifício, diminui a carga térmica interna e, com isso, alivia o gasto com climatização. Em construções comerciais e industriais, de alto consumo e grande envoltória, esse efeito combinado muda a própria conta do investimento, que passa a considerar economia de material de revestimento e conforto térmico, não apenas o retorno do painel em si.
Para Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, CEO da André Guimarães Engenharia e Infraestrutura, soluções desse tipo só fazem sentido quando engenharia civil e elétrica conversam desde o primeiro traço, porque integrar geração à pele do edifício é uma decisão estrutural antes de ser energética. Errar o dimensionamento de uma fachada que também sustenta e veda não é o mesmo que trocar um painel mal posicionado no telhado.
Os obstáculos que o setor ainda precisa vencer
Sob o ponto de vista de Elmar Juan Passos Varjão Bomfim, seria ingênuo tratar o avanço como uma linha reta. A própria projeção do setor para 2026 aponta um acréscimo semelhante ao de 2025, sinal de que o crescimento perdeu fôlego diante de entraves concretos.
A cobrança gradual do Fio B, prevista no marco legal da geração distribuída, reduz o crédito de quem injeta excedente na rede; o custo de capital encareceu o financiamento; e, em várias regiões, a rede de distribuição já dá sinais de saturação e inversão de fluxo de potência.
A engenharia que aprende a gerar a própria energia
O próximo passo do setor não está em cobrir mais telhados, e sim em projetar edifícios que nasçam pensando na energia que vão produzir e consumir. Baterias mais acessíveis, fachadas que geram eletricidade, galpões que se sustentam com o próprio sol e centros de distribuição que reduzem a conta de luz no fim do mês desenham um horizonte em que a geração deixa de ser apêndice e vira premissa de projeto.
Elmar Juan Passos Varjão Bomfim conclui que a engenharia que entender isso primeiro vai construir não só obras mais baratas de operar, mas empreendimentos mais preparados para um país onde a energia limpa já é infraestrutura, e não tendência.