Inflação em São Paulo desacelera na segunda quadrissemana de julho

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 6 Min de leitura

IPC-Fipe registra alta de apenas 0,01% impulsionada pela queda nos preços de alimentos e transportes na capital paulista.

Quem sente o peso do supermercado ou da conta de transporte no orçamento mensal costuma acompanhar os índices de inflação com uma pergunta direta: os preços realmente estão perdendo força, ou é só uma trégua passageira antes de voltarem a subir? O IPC-Fipe, indicador que mede o custo de vida na cidade de São Paulo desde 1939, trouxe uma resposta parcial para essa dúvida na segunda quadrissemana de julho de 2026. O índice praticamente ficou estável, com alta de apenas 0,01%, desacelerando frente ao avanço de 0,04% registrado na primeira quadrissemana do mês. Entender o que está por trás desse número exige olhar grupo por grupo do índice e também colocar o resultado paulistano dentro do cenário mais amplo da economia brasileira em 2026.

Como ficou o índice na segunda quadrissemana

Segundo dados divulgados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em 17 de julho, os dois grupos que mais ajudaram a conter a alta do índice geral foram Alimentação e Transportes. O primeiro aprofundou a deflação, passando de uma queda de 0,40% na primeira quadrissemana para uma queda de 0,49% na segunda. Já Transportes deixou de subir e passou a recuar, saindo de uma alta de 0,14% para uma queda de 0,07% no mesmo intervalo, conforme reportagem publicada pelo Diário do Grande ABC. Esses dois grupos, juntos, foram responsáveis por conter boa parte da pressão que outros itens da cesta de consumo colocaram sobre o índice geral no período.

Do outro lado, alguns grupos mostraram aceleração de preços. Despesas Pessoais passou de uma queda de 0,04% para uma alta de 0,07%, Saúde acelerou de 0,38% para 0,43% e Vestuário avançou de 0,46% para 0,54%. Habitação subiu 0,33% e Educação avançou 0,21%, repetindo exatamente as variações já observadas na primeira quadrissemana do mês, segundo o mesmo levantamento da Fipe. No acumulado de junho, o IPC-Fipe havia fechado em 0,18%, com o índice acumulando 3,90% nos últimos 12 meses, de acordo com dados do Portal de Finanças, o que ajuda a situar a leitura de julho dentro de uma tendência de desaceleração gradual ao longo do primeiro semestre.

O que explica esse comportamento

Parte da explicação para essa moderação de preços em São Paulo aparece no Boletim Macrofiscal de julho, divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. O documento manteve em 2,3% a projeção de crescimento da economia brasileira para 2026, mas elevou a estimativa de inflação medida pelo IPCA nacional de 4,5% para 5,1%, citando riscos ligados ao cenário externo e à política monetária. Ainda assim, o próprio IPCA de junho havia surpreendido o mercado ao registrar uma variação de apenas 0,16%, metade do que se esperava, segundo análise publicada pelo Sincomavi, sindicato do setor da construção civil paulista, que também reforça a leitura de uma inflação nacional mais comportada no terceiro trimestre.

Essa combinação de fatores, redução no preço dos alimentos e recuo nos custos de transporte, tende a refletir tanto a estabilidade cambial quanto a menor pressão sobre combustíveis e tarifas no período. É importante lembrar que o IPC-Fipe é calculado por meio de um levantamento quadrissemanal que compara as últimas quatro semanas de coleta com as quatro semanas anteriores, o que faz o indicador reagir com certa rapidez a qualquer mudança de curto prazo nos preços, diferente de índices mensais fechados como o IPCA. Por isso, oscilações entre quadrissemanas consecutivas ainda podem ocorrer antes do fechamento definitivo do mês.

O que essa desaceleração significa no bolso do paulistano

Na prática, para quem sustenta o orçamento doméstico em São Paulo, a notícia é parcialmente positiva. A queda nos preços de alimentos e no custo de transporte ajuda a compensar o avanço observado em saúde, vestuário e despesas pessoais, dois grupos que vinham pressionando o índice nos meses anteriores. Ainda assim, como o IPC-Fipe é um indicador quadrissemanal, ele funciona melhor como um termômetro de curto prazo do que como uma garantia de tendência para os próximos meses, especialmente em um cenário em que o próprio governo federal revisou para cima a expectativa de inflação nacional para o ano.

O resultado de julho, de qualquer forma, confirma que o custo de vida na capital paulista segue em trajetória de desaceleração desde o início do segundo semestre, acompanhando o movimento observado também no índice de inflação nacional. Para o consumidor, o dado mais útil talvez seja acompanhar a divulgação do fechamento completo de julho pela Fipe, prevista para os primeiros dias de agosto, que vai consolidar as quatro quadrissemanas do mês e mostrar se essa moderação nos preços de alimentos e transportes se manteve até o final do período.

Fontes consultadas:
https://www.dgabc.com.br/Noticia/4335741/ipc-fipe-fica-praticamente-estavel-na-2-quadrissemana-de-julho-com-alta-de-0-01-
https://www.debit.com.br/tabelas/ipc-indice-de-precos-ao-consumidor-fipe
https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202607/boletim-macrofiscal-de-julho-mantem-projecao-de-crescimento-de-2-3-para-2026-mostra-a-spe
https://sincomavi.org.br/?p=16630

Compartilhe este artigo
Deixe um comentário

Deixe um comentário