Lirius Suplementos e a fiscalização que migrou para a internet

Yuki Harumori
Por Yuki Harumori 5 Min de leitura
Lirius Suplementos

Mais de 55 mil notificações para retirada de anúncios irregulares de suplementos em plataformas de comércio eletrônico foram enviadas pela Anvisa em 2024, segundo o Conselho Federal de Nutrição, e a Lirius Suplementos acompanha o que esse número revela sobre o setor. A fiscalização, que por décadas olhou sobretudo para o rótulo e para a prateleira, passou a mirar o lugar onde a compra de fato acontece.

O movimento não é pontual. Ele indica uma mudança de foco que tende a se aprofundar e que afeta fabricantes, revendedores e, de forma indireta, a experiência de quem compra.

Do rótulo para o anúncio

Durante muito tempo, a pergunta central da vigilância sanitária era se a embalagem estava correta. O rótulo é um documento fixo, revisado antes da impressão e fácil de verificar. O anúncio online é outra coisa: muda a cada dia, é escrito por várias pessoas e pode existir em centenas de versões ao mesmo tempo.

À medida que a venda de suplementos se concentrou em sites, marketplaces e redes sociais, a distância entre o que o rótulo diz e o que a página promete virou o principal ponto de atenção. É no texto de venda que surgem as alegações de efeito sobre doenças, os depoimentos de cura e os selos sem origem.

Casos recentes mostram o padrão

Em junho deste ano, a Anvisa determinou a apreensão e proibiu a venda de dois suplementos comercializados pela internet, de origem desconhecida, segundo reportagem do portal ICTQ. Um deles era anunciado como capaz de controlar diabetes e colesterol e de aliviar sintomas de gastrite. O outro prometia controle do açúcar no sangue e redução de estresse e ansiedade, alegações que a agência considerou não autorizadas para um alimento.

Lirius Suplementos
Lirius Suplementos

Os dois casos repetem um padrão conhecido. O produto sem fabricante identificado se apoia quase inteiramente na promessa terapêutica, que só se sustenta no ambiente digital, longe de qualquer embalagem revisada. Na avaliação da Lirius Suplementos, a medida alcança não apenas a venda, mas também a divulgação, o que mostra que o anúncio passou a ser tratado como parte do produto.

A responsabilidade se espalha pela cadeia

A consequência mais relevante dessa tendência é que a responsabilidade deixa de se concentrar só no fabricante. Plataformas recebem pedidos de remoção, revendedores precisam responder pelo texto que publicam e criadores de conteúdo passam a ser observados quando divulgam produtos com promessas de saúde.

Para as empresas, isso exige controle sobre um território que não dominam por completo. Na Lirius, a resposta foi tratar a descrição oficial do produto como a única versão autorizada em qualquer canal, monitorar marketplaces e pedir correção ou retirada de páginas de parceiros que ampliem o que o rótulo diz. Influenciadores contratados seguem roteiro aprovado e identificam a publicidade.

O que muda para quem compra

Para o consumidor, a tendência traz uma vantagem e um aviso. A vantagem é um ambiente gradualmente mais limpo, em que anúncios com promessas de cura tendem a durar menos tempo no ar. O aviso é que a remoção sempre vem depois da publicação, e sempre haverá um intervalo em que a página irregular está disponível.

Por isso, a checagem individual continua necessária. Desconfiar de promessas sobre doenças, procurar a foto legível do verso, conferir o número de notificação na consulta pública da Anvisa e verificar se o fabricante é identificável são passos que nenhuma fiscalização substitui. O próprio Conselho Federal de Nutrição publicou um material de orientação para avaliar produtos de nutrição vendidos na internet, sinal de que a informação ao consumidor virou parte da estratégia.

Num mercado em que a vitrine é uma tela, a regra que vale para o rótulo passa a valer para cada post, cada anúncio e cada resposta no campo de perguntas. A Lirius Suplementos menciona também que a tendência é que essa exigência só aumente, e que a coerência entre o que se imprime e o que se publica deixe de ser cuidado opcional para virar condição de presença no comércio digital.

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