As emissões do instrumento somaram R$51,8 bilhões em 2025, com avanço de quase 19% no ano, consolidando a nota comercial como a segunda maior fonte de dívida corporativa do país
As Notas Comerciais consolidaram 2025 como um ano recorde no mercado de capitais brasileiro. As emissões do instrumento somaram R$51,8 bilhões, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), avanço de 18,9% em relação ao ano anterior. O resultado consolidou as Notas Comerciais como a segunda maior fonte de dívida corporativa do país, respondendo por cerca de 14% das emissões totais, atrás apenas das debêntures. Criado para financiar necessidades de capital de giro de curto e médio prazo, o instrumento ganhou impulso relevante após a Lei 14.195, de 2021, que autorizou sua emissão de forma inteiramente escritural, eliminando a necessidade de registro físico e acelerando o processo de estruturação de cada oferta, tema que a ID CTVM acompanha de perto em sua atuação como escrituradora desse tipo de título.
Desintermediação financeira impulsiona o crescimento
O avanço das Notas Comerciais é interpretado por analistas do mercado como um sinal de desintermediação financeira, movimento em que empresas passam a acessar diretamente fundos de crédito, fintechs e investidores qualificados dispostos a financiar suas operações, em vez de depender exclusivamente de linhas de crédito bancário tradicionais. Diferentemente das debêntures, mais associadas a captações de maior porte e prazo mais longo, as Notas Comerciais atendem principalmente às necessidades de financiamento de curto e médio prazo, o que as torna um instrumento particularmente aderente ao capital de giro sazonal de empresas de diferentes setores.
Segundo Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, o crescimento consistente das Notas Comerciais reflete a busca das empresas por instrumentos mais flexíveis do que o crédito bancário tradicional.
“O que estamos vendo é uma migração natural de parte da demanda por capital de giro do sistema bancário para o mercado de capitais. A Nota Comercial oferece prazos e condições mais aderentes à realidade de cada empresa, com um processo de emissão consideravelmente mais ágil”, avalia o executivo.
Registro automático deve acelerar ainda mais o mercado
A partir de 30 de junho de 2026, ofertas públicas de Notas Comerciais passaram a poder ser registradas de forma automática na CVM, mediante análise e parecer favorável prévio da ANBIMA, no âmbito de um acordo de cooperação técnica ampliado entre as duas entidades. Essa mudança tende a reduzir ainda mais o tempo entre a decisão de uma empresa de captar recursos via Nota Comercial e a efetiva disponibilização do capital, reforçando a competitividade do instrumento frente a outras fontes de financiamento corporativo de curto prazo.
A ID CTVM é habilitada pela CVM e pela ANBIMA para atuar como escrituradora, custodiante qualificada e controladora de ativos, funções que sustentam o ciclo completo de uma emissão de Notas Comerciais, da estruturação inicial à liquidação final junto aos investidores. A companhia soma mais de R$ 53,48 bilhões em ativos sob administração e custódia, parcela relevante distribuída entre diferentes instrumentos de renda fixa privada de curto e longo prazo.
A companhia atende mais de 9 mil contas operacionais ativas, volume que reflete a capacidade de processar emissões recorrentes de Notas Comerciais com a agilidade que empresas emissoras esperam deste instrumento, especialmente diante do novo regime de registro automático que passou a vigorar em 2026.
Crescimento deve se manter em ritmo acelerado
Para Balassiano, o ritmo de expansão das Notas Comerciais deve se manter elevado nos próximos anos.
“Empresas de diferentes portes descobriram nas Notas Comerciais um instrumento que combina agilidade de estruturação com custo competitivo. Enquanto essa combinação se mantiver, o crescimento do instrumento deve continuar acima da média do mercado de dívida corporativa como um todo”, pondera o diretor da ID CTVM.
Setores com necessidade recorrente de capital de giro sazonal, como varejo, agroindústria e distribuição, figuram entre os que mais recorrem a esse tipo de captação, aproveitando a flexibilidade do instrumento para ajustar o volume e a frequência das emissões conforme o ciclo de caixa de cada negócio ao longo do ano.
Instrumento deve seguir ganhando espaço na estrutura de capital
A expectativa entre especialistas é que as Notas Comerciais continuem ganhando espaço na estrutura de financiamento de empresas brasileiras nos próximos anos, à medida que mais companhias reconhecem o instrumento como alternativa ágil ao crédito bancário tradicional para necessidades de capital de giro. Para administradores fiduciários e escrituradores, a capacidade de processar volumes crescentes de emissões com agilidade, especialmente diante do novo regime de registro automático, deve seguir como um diferencial relevante na disputa por mandatos nesse segmento do mercado de capitais. Empresas que já emitiram Notas Comerciais uma vez tendem a repetir a experiência em novas rodadas de captação, o que reforça a importância de uma relação estável e eficiente com o escriturador responsável por cada operação.
