Pensando em adotar uma criança? Veja como funciona a adoção no Brasil

Diego Velázquez
Por Diego Velázquez 8 Min de leitura
Pensando em adotar uma criança? Bruno Garcia Redondo explica de forma clara como funciona o processo de adoção no Brasil.

Segundo o doutor Bruno Garcia Redondo, o processo de adoção no Brasil envolve uma série de etapas jurídicas, psicológicas e sociais voltadas à proteção da criança e ao preparo dos futuros responsáveis. Isto posto, esse procedimento é cuidadosamente estruturado para assegurar o bem-estar dos menores e a legitimidade da nova relação familiar. Logo, embora muitas pessoas acreditem que adotar seja um ato simples de vontade, a legislação brasileira impõe exigências específicas para garantir que a adoção ocorra com responsabilidade e dentro dos parâmetros legais. 

Tendo isso em vista, compreender como a adoção funciona no Brasil é essencial tanto para quem deseja acolher uma criança quanto para quem atua em áreas correlatas, como o Direito, a Psicologia ou a Assistência Social. Pensando nisso, a seguir, você entenderá as principais fases, exigências legais e o papel fundamental da Justiça no processo.

O que é necessário para adotar legalmente no Brasil?

A adoção é regulada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e pelo Código Civil, conforme frisa o procurador Bruno Garcia Redondo. Assim sendo, para adotar, é preciso atender a critérios legais que incluem idade mínima, situação civil e adequações psicossociais. A principal exigência é que o adotante tenha, no mínimo, 18 anos e seja ao menos 16 anos mais velho que o adotado.

Descubra com Bruno Garcia Redondo os passos, requisitos e cuidados necessários para adotar uma criança no Brasil.
Descubra com Bruno Garcia Redondo os passos, requisitos e cuidados necessários para adotar uma criança no Brasil.

Inclusive, não é obrigatório ser casado ou ter filhos biológicos. Pessoas solteiras, casadas ou em união estável podem adotar, desde que demonstrem condições afetivas e estruturais para oferecer um ambiente seguro e acolhedor. O processo também exige que os interessados estejam inscritos em um cadastro nacional, o que garante a lisura e o controle por parte do Judiciário.

Outro ponto fundamental, de acordo com Bruno Garcia Redondo, é que a adoção deve sempre priorizar o melhor interesse da criança. Isso significa que, mesmo havendo desejo por parte dos adultos, a Justiça avaliará se aquele ambiente realmente é o mais indicado para o desenvolvimento saudável do menor.

Quais são as etapas do processo de adoção no Brasil?

O processo de adoção é composto por várias fases obrigatórias, que vão desde a habilitação até a sentença judicial. A seguir, apresentamos os principais passos exigidos por lei:

  • Cadastro e habilitação: os pretendentes devem se inscrever na Vara da Infância e Juventude de sua cidade e apresentar documentos como identidade, comprovante de renda, antecedentes criminais e atestados médicos.
  • Curso preparatório: todos os interessados devem participar de um curso de preparação psicossocial e jurídica sobre o que envolve a adoção.
  • Avaliação técnica: uma equipe formada por psicólogos e assistentes sociais realizará entrevistas e visitas domiciliares para avaliar a aptidão do candidato.
  • Decisão judicial: após a avaliação, o juiz decide pela habilitação ou não do pretendente, com base nos laudos técnicos.
  • Adoção propriamente dita: quando uma criança for disponibilizada para adoção e houver compatibilidade, inicia-se o estágio de convivência, que é monitorado pela Justiça.
  • Sentença e registro: se o estágio de convivência for bem-sucedido, a adoção é formalizada por meio de sentença, e a criança recebe uma nova certidão de nascimento.
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Essas etapas existem para assegurar que a adoção seja uma medida definitiva e positiva para ambas as partes, especialmente para a criança, que deve ser protegida em todas as instâncias do processo.

O papel da Justiça na proteção da criança adotada

A Justiça brasileira tem um papel central no processo de adoção. Logo, a sua principal missão é garantir que o direito da criança à convivência familiar seja respeitado, e que a adoção ocorra dentro dos princípios da dignidade humana e do afeto responsável, como destaca o doutor Bruno Garcia Redondo.

Isto posto, o juiz da Vara da Infância atua em conjunto com equipes técnicas para acompanhar todas as fases do processo. Isso inclui desde a análise documental até o acompanhamento do estágio de convivência. Essa atuação tem caráter preventivo e protetivo, buscando evitar adoções ilegais ou que coloquem o menor em risco.

Ademais, a Justiça é responsável por fiscalizar se a família biológica esgotou todas as possibilidades de manter a guarda da criança antes de esta ser disponibilizada para adoção. Essa é uma medida legal importante, pois impede que crianças sejam retiradas de seus lares de origem sem critérios objetivos e justos.

Quais cuidados devem ser considerados por quem deseja adotar?

Por fim, antes de iniciar um processo de adoção, é fundamental refletir sobre o compromisso afetivo, emocional e legal que essa escolha envolve. Até porque, adotar uma criança significa assumir integralmente os deveres de um pai ou de uma mãe, com todos os encargos e responsabilidades que isso representa, conforme enfatiza o procurador Bruno Garcia Redondo. Isto posto, entre os principais cuidados que os pretendentes devem considerar, destacam-se:

  • Avaliar a motivação para adotar: é importante que o desejo venha do afeto, e não da imposição social ou de expectativas irreais.
  • Preparar o ambiente familiar: todos os membros da família devem estar alinhados com a decisão.
  • Ter paciência com o processo: a adoção pode ser demorada, e é necessário compreender os prazos legais e as exigências psicológicas.
  • Estar aberto ao diálogo e à escuta: a criança pode ter passado por traumas, e o acolhimento deve ser feito com empatia e respeito.
  • Buscar acompanhamento profissional: apoio psicológico pode ser um diferencial na adaptação da nova família.

Essas medidas não apenas aumentam as chances de sucesso da adoção, mas também contribuem para uma convivência mais harmoniosa e saudável entre pais e filhos.

A adoção é um compromisso feito com amor e responsabilidade

Em última análise, a adoção no Brasil segue normas rigorosas justamente para assegurar que crianças e adolescentes sejam acolhidos com amor, estrutura e responsabilidade. Dessa forma, o processo pode ser longo, mas cada etapa é essencial para garantir uma convivência familiar segura e definitiva. Assim, ao respeitar as exigências legais e contar com o apoio da Justiça, famílias formadas por adoção têm a oportunidade de construir laços verdadeiros e duradouros.

Autor: Smirnova britovitzk

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