De trens intercidades a expansões de metrô, a capital e o estado recebem um conjunto de investimentos sem precedentes em mobilidade urbana
São Paulo não costuma ter fama de cidade que facilita o deslocamento. Quem vive na capital sabe que a batalha diária no trânsito ou nos trens lotados faz parte de uma rotina que já dura décadas sem solução definitiva. Mas um conjunto de investimentos anunciados e em andamento em 2026 começa a mudar esse cenário, pelo menos no que diz respeito ao planejamento de médio prazo. As assinaturas firmadas entre o BNDES e o governo de São Paulo se referem à implantação do Trem Intercidades Eixo Norte e à expansão da Linha 2 do Metrô, somando R$ 5,6 bilhões em recursos para mobilidade urbana. A cerimônia de assinatura dos contratos contou com a presença do presidente Lula, que destacou o papel do BNDES como financiador de ativos produtivos de longo prazo, e não como fonte de gasto corrente. Para São Paulo, que concentra o maior número de deslocamentos diários do Brasil, o anúncio tem consequências concretas para os próximos anos. GOV.BR
O Trem Intercidades Eixo Norte, em particular, representa uma mudança de escala relevante para a região metropolitana. O TIC Eixo Norte, trem de média velocidade que ligará São Paulo a Campinas em um percurso de 101 quilômetros, contará também com serviço parador entre Jundiaí e Campinas, atravessando oito municípios, além do serviço parador metropolitano já em operação (Linha 7-Rubi), entre Barra Funda e Jundiaí, com 17 estações. Para quem mora em Campinas e trabalha em São Paulo, ou vice-versa, o trem intercidades representa a possibilidade de substituir o carro ou os ônibus de linha por um deslocamento mais rápido, confortável e menos dependente do tráfego da Rodovia Anhanguera. A faixa dos 101 quilômetros entre as duas maiores cidades do estado concentra uma das maiores densidades populacionais do Brasil e um dos fluxos de trabalhadores pendulares mais intensos do país. GOV.BR
A expansão da rede de metrô dentro da capital
Além do trem intercidades, a expansão da Linha 2-Verde do metrô é parte central do pacote financiado pelo BNDES. A nova estação Penha terá conexão com a Linha 3-Vermelha do metrô e com a Linha 11-Coral da CPTM. Com isso, o Expresso Leste passará a contar com uma nova parada entre Corinthians-Itaquera e Tatuapé, facilitando o deslocamento de usuários de cidades como Suzano e Mogi das Cruzes com destino à região da Avenida Paulista. A Linha 2-Verde é uma das mais utilizadas da rede e conecta bairros de perfil diverso como Vila Madalena, Consolação e Vila Prudente. Sua expansão em direção à Penha cria uma malha mais densa no centro expandido e no eixo leste da cidade, onde vive a maior parcela da população trabalhadora. A integração com o Expresso Leste é especialmente relevante porque conecta o metrô ao sistema de trens que atende os municípios da Grande São Paulo, amplificando o alcance da rede para além dos limites municipais. GOV.BR
Paralelamente às grandes obras, em 2025, as linhas operadas diretamente pelo Metrô de São Paulo transportaram mais de 821 milhões de passageiros. A Linha 1-Azul respondeu por cerca de 304 milhões, a Linha 3-Vermelha por aproximadamente 293 milhões, a Linha 2-Verde por cerca de 187 milhões e a Linha 15-Prata por quase 38 milhões. Esses números revelam a escala do desafio: são centenas de milhões de viagens por ano em uma rede que ainda opera abaixo da capacidade necessária para uma cidade do porte de São Paulo. A comparação com outras metrópoles globais de tamanho semelhante mostra que a capital paulista tem uma das menores extensões de rede metroviária por habitante entre as grandes cidades do mundo. Por isso, cada quilômetro novo de trilho tem um peso desproporcional para a qualidade de vida da população. Metrô CPTM
A aposta nos ônibus elétricos e no transporte hidroviário
Ao lado das obras de grande porte, a Prefeitura de São Paulo tem avançado em iniciativas que diversificam a matriz de transporte. A cidade de São Paulo ampliou a frota elétrica com mais 110 ônibus, reforçando a liderança nacional no transporte sustentável. Com a eletrificação da frota, a capital deixa de consumir 47,6 milhões de litros de diesel por ano, reduzindo em 109,5 mil toneladas as emissões anuais de CO₂. Para os passageiros, a diferença prática é sentida no conforto da viagem: ônibus elétricos são mais silenciosos, não emitem fumaça pelo escapamento e tendem a ter manutenção mais previsível. Para a qualidade do ar da cidade, o impacto acumulado da frota elétrica ao longo dos anos é relevante, especialmente em corredores de alta circulação como a Paulista, a Consolação e os eixos de BRT em implantação. Prefeitura de São Paulo
O transporte hidroviário, ainda embrionário em São Paulo, também ganhou atenção da gestão municipal. A Prefeitura abriu licitação para estudos de novos atracadouros do sistema Aquático-SP nas represas Billings e Guarapiranga, ampliando o potencial de uso de uma infraestrutura que já existe mas ainda é subutilizada. A iniciativa tem conexão direta com os planos de mobilidade da Zona Sul, região de expansão urbana acelerada e historicamente deficiente em transporte sobre trilhos. Combinadas com as obras de metrô, os novos BRTs e a chegada de mais ônibus elétricos, essas iniciativas formam um conjunto de transformações que, se executadas nos prazos prometidos, podem mudar de forma significativa a relação dos paulistanos com a mobilidade urbana nas próximas décadas.
Fontes: Governo Federal | Prefeitura de São Paulo | Metrô CPTM
Autor: Diego Rodríguez Velázquez